Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

domingo, 23 de novembro de 2014

Justo ele

Justo ele, que se criou sem pai
Agora em silencio se cala, sem filho
Talhado na infância e na velhice
Com os olhos duros e marejados
como espelhos que refletem o som do sussuro
"Eles não irão voltar"

Agora vejo caracóis de sentimentos
como vórtices de memórias
Que se vão
E o que fica?
...


Que se enterrem as lembranças no fundo do coração
Prossiga!

Bráulio Silva

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Coração

Meu coração é terra onde os poetas não põem os pés.
Tremem ao ouvir os sons das batidas.
Choram ao imaginar o que nele se forma.
Do meu coração eu sou poeta.

Bráulio Silva

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Estômago

Quem disse que é o coração que sente?
O que sente é o estômago.
Ele revira, embrulha, gela
Sossega!

Bráulio Silva

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Inconstância

Arrastar pesado de pés que pisam paisagens passadas
Dor retraída de retratos de tratos mal tratados
Fuga fugaz de encontros desencontrados
De amores vividos em tempos não amados

Olhar abismal que revela o irrevelável
De uma alma que ama sem ser amada
Foges de mim sentimento dito nobre
Será que é por não me achar nobre?
Ou será que é por ser eu nobre em um mundo não nobre?

Bráulio Silva

terça-feira, 22 de abril de 2014

Chuva

Lave as almas com seus cristais
Abra os peitos esculturais
das estátuas que me cercam

Faça brilhar todas as lanternas
petrificadas pela ignorância
de uma humanidade obsecada
pela fugacidade

Felizes, aprisionados,
realizados, acorrentados
conformados
com a pseudoalegria
uma euforia
que se desfaz como núvem
no fim do dia

Por trás das negras cortinas da conciência.
Haverá feras que não chorarão
Apenas rosnarão, morderão
Apenas!

Mas o Silêncio antecederá a queda
Do mistério a se desvelar
de que as feras também choram
quando o mundo é desmoronado

Lave tudo e a todos
Chuva de cristais

Bráulio Silva

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Visceral

Visceral é o olhar lançado,
a palavra dita,
o gesto articulado.

Viscerais são as tentativas
que vêm de dentro de mim
em busca de você.

Bráulio Silva

Esterilidade

Ovos estéreis
Caem do céu
Não se sabe de onde
Sobre este jovem lamaçal
A escorrer
Sobre um precioso deserto

Bráulio Silva