Não há batalha
entre uma alma que insiste em derramar
e uma folha de papel que tenta resistir
quando a inspiração vem desses lindos faróis
que possuem a força de dez sois
iluminando meu caminho por entre águas
por vezes navegadas, porém fadadas
trazendo esperança para esse pescador
que carrega consigo apenas uma rede velha
em seu barco velho e desgastado
para o infinito incerto, na busca de um amor
Não há batalha nem sofrimento
Para se escrever algo que está em silêncio
Pois a inspiração que me vem muda
Que nasce da ausência de sua presença
Derrama em minha alma como chuva
Gotas de felicidade reluzentes
Que brilham pelas vertentes
Do aconchego de um colo imaginário
De uma conversa a se realizar
De um suspiro a se escutar
O desperdício da vida
Está no tempo não amado
No tempo em que não te vejo
No tempo em que não te sinto
Por isso não há batalha nem sofrimento
Para se escrever sobre a saudade
Que ainda está por vir
E sobre os momentos
Ainda por nascer
Bráulio Silva
Abertura
Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Caixa preta
A cada dia que se passa descubro algo de "novo" nesta fonte inesgotável de mistérios que é a alma humana. E é neste mergulho silencioso e sem fim que me surpreendo com todos e comigo mesmo.
Bráulio Silva
Bráulio Silva
quarta-feira, 18 de julho de 2012
O poeta
Estou para um mundo que não está para mim.
Na presente ausência, sucumbência?
Pareço aforgar-me em um mar de decadência!
Dentes, bocas e olhos, devorem-me agora!
Mesmo que devagar,
em pequenas fatias,
pedacinhos.
Que é para não engasgar,
pois sua boa digestão é fonte de minha existência.
Lenta antropofagia,
magra e sem vontade.
Apetite homeopático contra o imediatismo.
Que ainda há em alguns que buscam a verdade
nos versos, nas estrofes.
Mesmo que de uma forma bem magra,
pois o mundo está magro, muito magro.
Bráulio Silva
sábado, 16 de junho de 2012
Gota d'água
Não ser a gota d'água para o copo que está no limite para transbordar é muito importante, pois a pessoa que o segura sempre se lembrará de você como o causador de toda catástrofe.
Bráulio Silva
Bráulio Silva
terça-feira, 15 de maio de 2012
Loucura
Erva daninha que me consomepedras submersas, intocadas,
nas profundezas deste riacho
inexplorado, desconhecido.
Inconciência fantasmagórica
banhada pelo desespero, sofrimento,
alucinação.
Companheira de todas as horas,
de todas as almas.
Sem trégua trabalha
nos passos em falso
a espera de um empurrão
para se realizar.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Cacto
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