Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Amanhã


Por trás deste véu acinzentado
Ante esses olhos aguados, tristes
Há um sonho perdido, eternizado
De um verdor inimaginável

Cheiro de gasolina, aniquilador
Fenda líquida devoradora
De náufragas lembranças
Que se evaporam cada vez mais cinzas

A música fúnebre dos motores
Embalam cada vez mais os sentidos
Silenciam os raios do Sol
Em um mórbido crepúsculo

Aurora sem vida, regada a dióxido de enxofre
Onde nascem os filhos de uma era incolor
Onde a lua não tem mais nenhum sabor
Gostaria apenas de sentir
As lembranças daquele ar mais verde

Bráulio Silva