Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

domingo, 23 de novembro de 2014

Justo ele

Justo ele, que se criou sem pai
Agora em silencio se cala, sem filho
Talhado na infância e na velhice
Com os olhos duros e marejados
como espelhos que refletem o som do sussuro
"Eles não irão voltar"

Agora vejo caracóis de sentimentos
como vórtices de memórias
Que se vão
E o que fica?
...


Que se enterrem as lembranças no fundo do coração
Prossiga!

Bráulio Silva

Nenhum comentário:

Postar um comentário