Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Vibrações


Às vezes me sinto fisgado, ferido
ao vê-las tristes, velhas, reclamonas
Sinto um chiar, um ranger na solidão
Súplicas pelo toque de uma mão

Então vibro dentro de vibrações
Onde o tempo sem tempo sorri melodias
e mesmo ao me deitar não deixo de ouvi-las
como ecos luminosos rasgando a escuridão

E ali, na madrugada ouço sussurros
Gotas de felicidade, alegria e gratidão
pelas belas notas
pelo singelo trimilique de cócegas
em um corpo tão lindo, fino e nu
a transformar trevas em luz

Bráulio Silva