Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A morte do amor

Borboletas cristalizadas
Sem medo, sem rancor
Flores paralisadas
Pela angustia do amor

Lagos transpiram chamas
Céus suspiram rosas
Um mundo onírico se forma
Em um leito colorido, por hora!

A alegria, a paixão, o desejo
A tristeza, a fúria, o desprezo
Todos vieram, até o ódio apareceu
Para se despedirem, adeus!

E a pintura se desfez
Em rios turvos, acinzentados
E um grande vazio se formou
Na grande tela da vida, agora.

Bráulio Silva