Lave as almas com seus cristais
Abra os peitos esculturais
das estátuas que me cercam
Faça brilhar todas as lanternas
petrificadas pela ignorância
de uma humanidade obsecada
pela fugacidade
Felizes, aprisionados,
realizados, acorrentados
conformados
com a pseudoalegria
uma euforia
que se desfaz como núvem
no fim do dia
Por trás das negras cortinas da conciência.
Haverá feras que não chorarão
Apenas rosnarão, morderão
Apenas!
Mas o Silêncio antecederá a queda
Do mistério a se desvelar
de que as feras também choram
quando o mundo é desmoronado
Lave tudo e a todos
Chuva de cristais
Bráulio Silva
Abertura
Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.
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