Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Inconstância

Arrastar pesado de pés que pisam paisagens passadas
Dor retraída de retratos de tratos mal tratados
Fuga fugaz de encontros desencontrados
De amores vividos em tempos não amados

Olhar abismal que revela o irrevelável
De uma alma que ama sem ser amada
Foges de mim sentimento dito nobre
Será que é por não me achar nobre?
Ou será que é por ser eu nobre em um mundo não nobre?

Bráulio Silva

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