Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Crocodilo

Ah Crocodilo! Cravou em minha mente seus grandes dentes afiados. Dentes que me silenciaram, tornando minha voz cada vez mais baixa, imperceptível. Se não fosse esse Crocodilo seria quem sou, mas...
Há tantos crocodilos parecidos com esse que me abocanhou espalhados pelo mundo, dos mais variados tamanhos, mas esse é o maior de todos, tão grande que fica até difícil de definir suas formas, suas linhas, como se eu fosse engolido sem nenhuma chance por essa força tão faminta, em seu domínio, sujeitado.

Bráulio Silva

Um comentário:

  1. Não podemos deixar esses "crocodilos" nos silenciarem, lutemos contra essa força esmagadora!

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