Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sx

Sou um poema
onde só cabem almas sintonizadas
na irracionalidade, na animalidade,
no instinto.

Um poema que canta
a junção espiritual,
a perda do controle,
a beleza feroz e voraz
de cada um

Um poema que caminha
contra o tabu
de não se falar
... sentir
... ouvir

Quero cantar
o que nos difere do que é divino
Quero cantá-lo
apenas por existir

E depois de cantá-lo ...
entre sons, murmúrios e gemidos
só nos restará tempo
para uma coisa

...
..., ...
..., ..., ...
..., ..., ..., ...

Bráulio Silva

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