Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Picaretada

Ao som estremecedor, penso
Por vezes me vi em pedaços
Como pedras neste pequeno espaço
Duro, seco, sem vida, penso
Que por vezes me vi em pedaços
De sorrisos que se foram
De olhares que me habitaram
De vozes mudas, imundas
Que ao sol e à chuva vi passar
Incomodados, atentos ao som da batida

Picareta desafiadora de toda dispersão
Centro de atenção
Frente a esse grande mundo quebrado
De emoção, sentimento e sensação

E entre todas essas pessoas defuntas
Que caminham juntas
Continuo com meu braço de picareta
Picaretada
Cavando rumo ao abismo do esquecimento
A imaginar
Quem sabe um dia irão se lembrar
Do som da picareta
A incomodar

Um comentário:

  1. " (...) E entre todas essas pessoas defuntas
    Que caminham juntas (...)" Identifiquei-me... Palavras muito fortes!

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