Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Silêncio


Nessas horas noturnas em que o silêncio devora tudo, ele sente o sussurrar dos mais belos versos, mesmo que alguns sejam intransponíveis às folhas de seu caderno. E a todo momento vem muitas formas indefinidas que o atormentam ou que lhe trazem paz nessa grandiosa alegria que é o trabalho com a escrita.
Silêncio sufocante que o desafia a em silêncio dizer algo que faça sentido silenciosamente.
Silêncio que não quer silenciar. Silêncio que acalma, que enfurece, que dá paz, que guia a caneta nas mais perfeitas curvas dentro de um plano nunca percorrido.
Mas aquela noite deveria receber um nome, “Noite do silencio”, pois o silêncio permaneceu calado, deixando-o sem suas formas, esterilizado.


Bráulio Silva

3 comentários:

  1. Excelente texto. A predominância e a forma como foi trabalhada a metalinguística aqui é algo singular.

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  2. Penso que o silêncio é mesmo devorador ao mesmo tempo tão necessário como seu próprio texto demonstra. Vc é um poeta! rs

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  3. Agradeço os comentários. Que bom que você realmente gostou.

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