Hoje pela manhã, quando Jorge acordou, sentiu que há muito tempo as coisas permaneciam nos seus mesmos lugares. Tudo, literalmente tudo, na mais perfeita harmonia sufocante do caos urbano.
Sabia que teria que se apresar para o trabalho, pois o tempo tornara-se escasso.
Então, sentado ali, suportando o rotineiro trânsito infernal de todos os dias, e vendo aquelas várias vidas tão pragmáticas passando diante de seus olhos, começou a buscar dentro de si algo que o libertasse.
Buzinas, correria, pressão, prazos, tudo era como uma bomba relógio a ser desarmada antes da catástrofe.
Abriu as quatro janelas do carro, suspirou e fechou os olhos... não ouviu, não sentiu, não sorriu, apenas permaneceu... E dentro do mais perfeito silêncio, ele parecia estar completamente desconectado da realidade, até ouvir um som dentro do carro.
Não acreditava no que via. Era um grande inseto com uma cor azul tão viva que parecia lhe convidar a experimentar algo novo, algo diferente.
- Nossa, que lindo! Nunca vi um desses em toda minha vida. Nem parece ser daqui.
Ficou encantado por aquela vida tão maravilhosa que agora iluminava o ambiente e de tão atraído pela criatura, passou a ter a sensação de que podia ouvir a respiração do inseto.
A cada segundo se afastava mais da realidade, rumo ao que desejava.
- Veja, veja, veja...
Agora ouvia um sussurro.
- Veja, veja, veja...
- Quem é?
- Veja!
-Queemmmm éééééé?
Então, buscou fora do carro a origem daquela voz misteriosa, mas sequer havia um pedestre por perto naquele momento. Então pensou que o som do carro estivesse ligado, engano seu. Ao abaixar para verificar o som e colocar a cabeça próxima do painel, a voz ficou mais intensa e, a medida que se aproximava do inseto sobre o painel, a voz ficava mais intensa.
Desespero, estranheza, incerteza.
- Como é possível? Estou louco? Não, não.
Concluiu que precisava tirar férias, mas a voz não cessou.
- Veja, veja...
Aterrorizado fixou os olhos no inseto, mas parecia que a voz havia se dissipado. Chegou mais perto e nada. Mais perto ainda, quase a tocá-lo e...
- Veja que asas lindas você tem, são tão belas quanto as minhas, azuis.
O farol já estava aberto para ele arrancar o carro, apenas o carro.
Jorge já deveria estar bem longe, livre, azul.
Sabia que teria que se apresar para o trabalho, pois o tempo tornara-se escasso.
Então, sentado ali, suportando o rotineiro trânsito infernal de todos os dias, e vendo aquelas várias vidas tão pragmáticas passando diante de seus olhos, começou a buscar dentro de si algo que o libertasse.
Buzinas, correria, pressão, prazos, tudo era como uma bomba relógio a ser desarmada antes da catástrofe.
Abriu as quatro janelas do carro, suspirou e fechou os olhos... não ouviu, não sentiu, não sorriu, apenas permaneceu... E dentro do mais perfeito silêncio, ele parecia estar completamente desconectado da realidade, até ouvir um som dentro do carro.
Não acreditava no que via. Era um grande inseto com uma cor azul tão viva que parecia lhe convidar a experimentar algo novo, algo diferente.
- Nossa, que lindo! Nunca vi um desses em toda minha vida. Nem parece ser daqui.
Ficou encantado por aquela vida tão maravilhosa que agora iluminava o ambiente e de tão atraído pela criatura, passou a ter a sensação de que podia ouvir a respiração do inseto.
A cada segundo se afastava mais da realidade, rumo ao que desejava.
- Veja, veja, veja...
Agora ouvia um sussurro.
- Veja, veja, veja...
- Quem é?
- Veja!
-Queemmmm éééééé?
Então, buscou fora do carro a origem daquela voz misteriosa, mas sequer havia um pedestre por perto naquele momento. Então pensou que o som do carro estivesse ligado, engano seu. Ao abaixar para verificar o som e colocar a cabeça próxima do painel, a voz ficou mais intensa e, a medida que se aproximava do inseto sobre o painel, a voz ficava mais intensa.
Desespero, estranheza, incerteza.
- Como é possível? Estou louco? Não, não.
Concluiu que precisava tirar férias, mas a voz não cessou.
- Veja, veja...
Aterrorizado fixou os olhos no inseto, mas parecia que a voz havia se dissipado. Chegou mais perto e nada. Mais perto ainda, quase a tocá-lo e...
- Veja que asas lindas você tem, são tão belas quanto as minhas, azuis.
O farol já estava aberto para ele arrancar o carro, apenas o carro.
Jorge já deveria estar bem longe, livre, azul.
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