Abertura

Abertura

Procuro aquele que escreva no papel com palavras suspensas (como se fossem flores de lótus sobre a superfície das águas de onde nascem), com palavras acima de qualquer palavra "comum", mas sem se perder a simplicidade, em um movimento paradoxal e ascendente da escrita, onde o simples e o complexo se manifestem concomitantemente, sendo que novos sentidos e significados sejam traçados, ultrapassando os limites fixos para um momento de constante movimento, quebrando-se os paradigmas, desafiando-se a realidade.
Procuro aquele que descubra nas palavras algo que me faça perder a cabeça no deleite magistral do Belo, em ordenações desafiadoras, sendo necessária a suspensão voluntária ou involuntária da realidade para o entendimento e para o prazer de se desvendar o que se esconde entre suas linhas.
Procuro-o dentro dessa caixa cerrada como que se a qualquer momento a sua ausência fosse me consumir, mas sempre na esperança de encontrá-lo.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O poeta


Estou para um mundo que não está para mim.
Na presente ausência, sucumbência?
Pareço aforgar-me em um mar de decadência!

Dentes, bocas e olhos, devorem-me agora!
Mesmo que devagar,
em pequenas fatias,
pedacinhos.
Que é para não engasgar,
pois sua boa digestão é fonte de minha existência.

Lenta antropofagia,
magra e sem vontade.
Apetite homeopático contra o imediatismo.
Que ainda há em alguns que buscam a verdade
nos versos, nas estrofes.
Mesmo que de uma forma bem magra,
pois o mundo está magro, muito magro.

Bráulio Silva

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