Acordou puto da vida com aquela noite mal dormida em meio aos ratos e baratas de seu barraco. Suspirou sem acreditar na vida. Sempre lutou por um futuro melhor, pois lhe disseram que com esforço e suor chegaria lá, mas depois de tantos anos e depois de tantas cuspidas na cara, chega uma hora que a mente não agüenta e o corpo reage.
- Futuro melhor porra nenhuma. Disse.
Todos os dias ele descia o morro para o trabalho. Não era notado por ninguém no seu trajeto, no seu trampo. Invisível. Com as roupas maltrapilhas que escondiam suas costelas de fome passava sempre despercebido por todos, que não tinham tempo para tais observações, ilhados em seus mundos. Egoístas? Indiferentes?
Mas naquele dia algo incomodava ainda mais seu espírito. Eram como pontas de espinhos que lhe saiam de dentro da alma, como um grito abafado que queria correr-lhe boca afora.
Trabalhou angustiado todo o dia e voltando pra casa, quando esperava o farol da rua abrir para que pudesse atravessar, um magnata parou seu carrão e lançou sobre sua imagem um olhar enojado, como que se não pudesse tolerar a sua presença, a presença de um trabalhador honesto, que não teve a sorte ou uma oportunidade.
E foi justamente essa pessoa, do tipo arrogante e prepotente, que despertou sua cólera, como que se aquele olhar, aquele sorrisinho cínico no cantinho da boca fosse a última gota para que atravessasse pelo vidro do carro um pé-de-cabra (uma de suas ferramentas de trabalho) que segurava em uma de suas mãos, arrancando-lhe a jugular sob os gritos aterrorizados dos outros pedestres. Um momento impensado, uma explosão de ódio, de indignação, de revolta.
Com todo aquele sangue em seu rosto, em suas mãos, espalhado por todos os lados, dava risadas como que um louco desvairado, afastado da realidade, com a cabeça girando e com um filme de toda sua vida desgraçada passando por seus olhos.
Quando voltou a si, olhou bem nos olhos do magnata e pensou consigo mesmo: Porra, ta tudo errado.
- Futuro melhor porra nenhuma. Disse.
Todos os dias ele descia o morro para o trabalho. Não era notado por ninguém no seu trajeto, no seu trampo. Invisível. Com as roupas maltrapilhas que escondiam suas costelas de fome passava sempre despercebido por todos, que não tinham tempo para tais observações, ilhados em seus mundos. Egoístas? Indiferentes?
Mas naquele dia algo incomodava ainda mais seu espírito. Eram como pontas de espinhos que lhe saiam de dentro da alma, como um grito abafado que queria correr-lhe boca afora.
Trabalhou angustiado todo o dia e voltando pra casa, quando esperava o farol da rua abrir para que pudesse atravessar, um magnata parou seu carrão e lançou sobre sua imagem um olhar enojado, como que se não pudesse tolerar a sua presença, a presença de um trabalhador honesto, que não teve a sorte ou uma oportunidade.
E foi justamente essa pessoa, do tipo arrogante e prepotente, que despertou sua cólera, como que se aquele olhar, aquele sorrisinho cínico no cantinho da boca fosse a última gota para que atravessasse pelo vidro do carro um pé-de-cabra (uma de suas ferramentas de trabalho) que segurava em uma de suas mãos, arrancando-lhe a jugular sob os gritos aterrorizados dos outros pedestres. Um momento impensado, uma explosão de ódio, de indignação, de revolta.
Com todo aquele sangue em seu rosto, em suas mãos, espalhado por todos os lados, dava risadas como que um louco desvairado, afastado da realidade, com a cabeça girando e com um filme de toda sua vida desgraçada passando por seus olhos.
Quando voltou a si, olhou bem nos olhos do magnata e pensou consigo mesmo: Porra, ta tudo errado.
Bráulio Silva
legal gostei da estória só que "Porra ta tudo errado". rsrs
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirGostei viu amor.... É muito interessante ver como você consegue escrever sob vários segmentos e sempre com uma maneira sútil de deixar o leitor fazer sua própria interpretação...
ResponderExcluirBjooo*